04 março 2012
filmes
O último que fomos ver ao cinema, nas férias do Carnaval (vimos entretanto no videoclube em casa A Árvore da Vida e o Midnight in Paris), foi J. Edgar. Sem ser um filme marcante, impressiona pelo modo como foi filmado e pelo que permite 'digerir' depois. Muitas cenas têm uma forma de ver pessoas e situações diferente da habitual no cinema convencional. Clint Eastwood continua a não decepcionar.
A homossexualidade é um tema que fica latente no filme. A obsessão pela aceitação e aprovação de uma mãe que é sinultaneamente modelo e castração. A sede de poder. Os segredos alheios como fonte de poder e o uso dessa fonte na relação com outros detentores de (outros) poderes. A autoridade. Um homem que sempre procurou ser e parecer mais do que na verdade era. E que em casa usava roupas e jóias de mulher, às escondidas. A sede de protagonismo. A finitude do corpo. Um corpo velho, gordo, caído no chão, inerte, frio. A solidão. O amor correspondido e ainda assim não assumido. A cumplicidade acima do amor físico. A exigência em relação aos outros: mesmo com o amigo doente e cheio de tremores e idade, insiste para que ele fale claro e alto, num claro repto: Live up to the appearance(s). A lealdade de alguém que passou a vida na sombra, por amor ao trabalho, à carreira, cumprindo vontades alheias por lealdade.
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