08 março 2012

nem tudo o que reluz é ouro

O contexto:
Em 1993 ganhei a minha primeira bolsa de estudo.1 mês na Alemanha. Tinha 18 anos. Éramos 12 portugueses entre dezenas de nacionalidades. Seríamos no total uns 80?! Já não sei.
Lá, ficámos divididos em grupos compostos por 2 ou 3 elementos de cada nacionalidade, num total de 12, no nosso caso. O objectivo era obviamente que usássemos o alemão como língua de comunicação entre todos e não se refugiasse cada um na sua língua.

Os factos:
Lembro-me que logo no 1.º dia uma das miúdas russas (eram 2), muito bonita e esbelta, de seu nome Natascha, com uns olhos claros, longos cabelos negros e uns lábios bem pintados de um vermelho vivo, trocou de roupa umas 3 vezes. 3 outfits, como agora se diz. E toda a gente comentou. Como era vaidosa, a trocar de roupa tanta vez. Que devia ter a mania. Ainda por cima ela mal falava alemão e só falava russo com a amiga Olga (muito feia, quase cega - resolveram-lhe lá o problema dos olhos - e muito boa em alemão). Demo-nos depois conta que durante aquele mês estas eram as únicas roupas que a Natascha tinha/levou. A mala de viagem dela era mais pequena do que muitas malas que as senhoras usam no dia-a-dia... (Acabou por fazer algumas compras lá, com o Taschengeld oferecido, e recebeu roupas emprestadas e dadas de algumas de nós)

Hoje lembrei-me disto, nem sei porquê, mas penso
- como somos céleres em julgar e como os nossos julgamentos se revelam tantas vezes errados
- como as aparências são tantas vezes tão erróneas, face ao que está por detrás
- que será feito da Natascha e da Olga?

1 comentário:

Dulce disse...

Somos efectivamente muito rápidos a julgar os outros... e até a julgarmo-nos a nós.

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