Saber que há pessoas tão sós que morrem e durante 9 anos ninguém dá pela falta delas.
Ou dá. Houve uma vizinha que chamou 2 xs a GNR porque via o correio amontoado na caixa. Mas como não cheirava mal, não arrombaram a porta.
Ficou humanamente só no seu fim. Teve a companhia fiel do cão que lhe morreu ao lado. De fome, talvez.
9 anos!!!?
E só deram com ela porque o nosso Fisco lhe pôs a casa a leilão, talvez por falta de pagamento do imposto. Pois como o pagaria ela se não levou o cartão MB para o outro lado?!
Não tinha filhos? sobrinhos? amigos? Cabeleireiro? Merceeiro? Padre da paróquia? Ninguém? Que desse pela falta dela e desse (também) o alerta?!
Dói. Dói pensar que há pessoas assim, secalhar mesmo ao lado de nós. Porque vivemos tão apressados com a nossa vida que nos esquecemos de quem está na vida connosco.
Porque cada vez temos mais e parece que cada vez somos menos.
A eterna canibalização do ser pelo ter. Há pessoas que ainda se pautam por uma cartilha de dignidade muito valorosa, que tiram do seu tempo para se voluntariar, que param para dizer «bom dia» e que sabem o nome das pessoas com quem se cruzam no dia-a-dia. Mas são cada vez mais raras...
Já ensinei à minha filha que deve saber os nomes da sra. da limpeza e da cantina e tratá-las pelo nome, da mesma maneira que trata os educadores da sala dela e salas ao lado.
9 anos?!
1 comentário:
É muito importante isso que ensinaste à tua filha. Mesmo.
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